SÃO PAULO – A crise técnica e de resultados do Palmeiras, que parecia restrita às arquibancadas, ganhou um novo e significativo capítulo nos bastidores do clube. Conselheiros tanto da situação quanto da oposição se uniram para pressionar a presidente Leila Pereira, exigindo uma postura mais firme em relação ao trabalho do técnico Abel Ferreira.
A mobilização contra o treinador português, que começou com as eliminações precoces em Copas no final da temporada anterior, se intensificou após a recente eliminação para o maior rival em casa. Após o jogo, parte da torcida tentou abafar as críticas a Abel, mas o coro de insatisfação se tornou inegável.
O descontentamento é generalizado e se baseia em múltiplos fatores. Ambas as partes políticas do clube concordam que Abel Ferreira tem sido pouco cobrado pela presidente. A insatisfação é reforçada pelo alto investimento em reforços, mais de R$ 500 milhões, que, na visão dos conselheiros, não se traduziu em um futebol de qualidade nesta temporada.
As declarações de Abel e do diretor de futebol, Anderson Barros, após a última eliminação também não foram bem recebidas por alguns conselheiros. Abel relembrou que o Palmeiras era “desorganizado e sem rumo” antes de sua chegada, enquanto Barros reforçou a intenção de renovar o contrato do treinador, o que gerou ainda mais atrito.
Tradicionalmente rivais, essa não é a primeira vez que a insatisfação com a gestão de Leila Pereira une os dois lados do Conselho Deliberativo. Recentemente, a oposição também se manifestou contra a articulação para permitir um terceiro mandato para a presidente.
A pressão agora se volta diretamente para Leila Pereira. O entendimento de conselheiros é de que Abel Ferreira tem recebido “carta branca” para tomar decisões sem ser cobrado. A direção, por sua vez, afirma que a cobrança por resultados acontece mais internamente, no dia a dia com os jogadores, do que publicamente.
Em meio a esse cenário, o Palmeiras se prepara para o próximo jogo contra o Ceará, no próximo domingo, às 16h (de Brasília), no Allianz Parque, pelo Brasileirão. A expectativa é que a presidente Leila Pereira se posicione publicamente sobre a crise e demonstre uma reação às cobranças internas e externas.











