COIMBRA, PORTUGAL – A brasileira Gisele de Oliveira, de 40 anos, foi presa em Coimbra, Portugal, sob a acusação de ter assassinado cinco de seus sete filhos biológicos no Brasil. A prisão ocorreu na terça-feira (5), após um mandado de detenção internacional ter sido expedido pela Interpol.
A detenção foi o desfecho de uma complexa investigação da Polícia Civil de Minas Gerais, que ganhou força após a própria mãe da suspeita denunciar o caso às autoridades brasileiras, desconfiada das circunstâncias das mortes. Gisele fugiu para Portugal em abril deste ano, onde vivia com um novo companheiro e um filho do casal.
O modus operandi, segundo as investigações, envolvia o uso de sedativos e asfixia. A Polícia Judiciária de Portugal informou que Gisele teria administrado substâncias sedativas de forma reiterada aos filhos, sempre durante a noite e longe de testemunhas, entre os anos de 2008 e 2013. As crianças tinham entre 10 meses e 3 anos de idade.
A delegada Valdimara Teixeira de Paula, da Polícia Civil de Minas Gerais, explicou que a investigada usava um método semelhante em todas as mortes: diminuía a consciência da criança com medicamentos e, em seguida, asfixiava as vítimas. Em uma das necrópsias, foi detectada a presença de fenobarbital, um medicamento depressor. A investigação, que durou mais de um ano, conseguiu comprovar a materialidade de todos os delitos.
Gisele de Oliveira pode ser indiciada por cinco homicídios consumados e duas tentativas de homicídio, com o agravante de envenenamento. As autoridades brasileiras estimam que a pena, caso seja condenada por todos os crimes, possa chegar a 154 anos de prisão.
Após ser interrogada no Tribunal da Relação de Coimbra, a mulher ficou em prisão preventiva, aguardando o processo de extradição para o Brasil. A Polícia Civil ainda precisa ouvir a versão de Gisele para concluir o inquérito.











