Brasnorte — Dois dos 14 suspeitos de envolvimento no assalto a uma agência bancária em Brasnorte, a 580 km de Cuiabá, denunciaram agentes do Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO) por tortura e ameaça. A denúncia, feita pelos empresários Fabrício da Silva Lima e Valdemar do Nascimento Alves durante audiência de custódia no domingo (03.08), gerou a abertura de uma investigação pela Corregedoria da Polícia Civil.
Relato de tortura e ameaças
No vídeo da audiência, Fabrício detalha o ocorrido, afirmando que os policiais do GCCO chegaram com fuzis, apreenderam o celular de sua esposa e os levaram em um carro, desviando do caminho para a delegacia. Segundo o relato, eles foram levados à casa de Valdemar, onde foram torturados por cerca de três horas.
“Ficaram de 12h a 15h, afogando na piscina e pisando no estômago, jogavam sacola e pano na cara”, alegou Fabrício, que também exibiu hematomas pelo corpo. Ele ainda relatou ameaças contra sua família: “Perguntaram se eu tinha filho, disse que tinha um de 11 anos, e eles disseram ‘ou você fala onde está o dinheiro ou vamos partir para sua família'”.
Valdemar, presente na mesma audiência, corroborou a versão de Fabrício.
Polícia Civil investiga o caso
Em nota, a Polícia Civil de Mato Grosso confirmou ter recebido do Poder Judiciário a comunicação das denúncias na segunda-feira (05.08). A Corregedoria Geral da instituição já instaurou um procedimento para investigar as acusações de abuso de autoridade e tortura.
Detalhes da investigação do assalto
Em paralelo à denúncia, a investigação sobre o assalto à agência bancária avança. O delegado da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Gustavo Belão, esclareceu que a modalidade do crime não se enquadra como “novo cangaço”, como se suspeitava inicialmente.
A polícia revelou que o roubo foi planejado por cerca de 20 dias, com reuniões envolvendo os 14 investigados. A quadrilha contava com apoio logístico, incluindo a participação de um agiota e um recepcionista de hotel. A polícia apurou também que a ação contou com a suspeita de envolvimento de PMs, que teriam recebido dinheiro para retardar o início das buscas.
Os criminosos foram localizados devido à identificação dos carros usados na fuga. Para despistar a polícia, um dos veículos foi incendiado. A quantia roubada ainda não foi recuperada. A investigação aponta que o dinheiro foi dividido e ocultado para dificultar a localização.
A ação de busca e captura dos criminosos mobilizou mais de 100 policiais civis e militares, com o apoio de diversas unidades de segurança de Mato Grosso, como o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).








